Um espaço editorial dedicado à criação original e à reedição de obras.

Questiona-se o professor de latim porque é que as coisas são como são, que responde «está demonstrado que as coisas não podem ser de outro modo; porque, sendo tudo feito para um fim, tudo é necessariamente feito para o fim melhor…»*. É uma razoável teodiceia, por certo, mas não é grande ajuda, e «por consequência…», talvez se deixe de o ouvir. Questiona-se um marinheiro muito terra-a-terra, que responde com versos:

“A que novos desastres determinas

De levar estes reinos e esta gente?

Que perigos, que mortes lhe destinas

Debaixo dalgum nome preminente?

Que promessas de reinos, e de minas

D'ouro, que lhe farás tão facilmente?

Que famas lhe prometerás? que histórias?

Que triunfos, que palmas, que vitórias?”** 

E assim, da vida cheia de contradições, nasceu o Contra Ƨensum.

O Contra Ƨensum dedica-se à publicação de um catálogo que reúne ensaios, diálogos filosóficos, contos e narrativas de ideias, textos jurídicos e políticos de criação original, bem como traduções, reedições e obras recuperadas. De um conto filosófico sobre justiça, culpa e soberania a um tratado seiscentista sobre dissimulação, de um diálogo sobre ordem política e inteligência artificial à redescoberta de uma obra do passado, estas obras encontram-se no catálogo porque uma narrativa pode transmitir um conflito político, um tratado jurídico formular uma incerteza, uma obra literária revelar e dar forma a uma filosofia e um texto do passado tornar visível um problema contemporâneo.

* Voltaire, Cândido ou o Optimismo, Capítulo I: Pangloss

** Camões, Lusíadas canto IV, Velho do Restelo. 

Publicações

“... Depois do Terramoto, que tinha destruído três quartos de Lisboa, os sábios do país não tinham encontrado meio mais eficaz de evitar uma ruína total do que dar ao povo um belo auto-de-fé.” — Voltaire, Candide ou l'Optimisme