O Problema da Causalidade
“The law of causality, I believe, like much that passes muster among philosophers, is a relic of a bygone age, surviving, like the monarchy, only because it is erroneously supposed to do no harm.” — BERTRAND RUSSELL, “On the Notion of Cause”, Proceedings of the Aristotelian Society, 1913.
Partimos essencialmente da tentativa de resposta ao seguinte problema — o possível colapso da noção de causalidade e o seu impacto (ou ausência dele) naquilo que exigimos como condições de Ciência, designadamente, nas Ciências Sociais. De facto, um mundo sem causas é um mundo de «eventos» independentes entre si, e esse mundo, no qual o conhecimento exige que percepcionemos cada vez mais fenómenos, é simultaneamente um mundo onde sabemos cada vez menos – pois, ao invés da economia de causas bem definidas, conforme a suficiência dos nossos propósitos, multiplicamos as entidades “explicativas”, sem explicação ou causa aparente e, quiçá, em contradição entre si. E se o conhecimento é, afinal, uma mera conjectura, então é constituído por tudo aquilo que é concebível pela mente, incluindo as ilusões, falsidades e até o inexistente. E é a tentativa de responder a este simulacro de aparências aquilo que move o nosso fervor, embora sem preocupações excessivamente dogmáticas. Fá-lo-emos através da problematização da causalidade na sua vertente de – a) explicação de fenómenos, frequentemente conduzindo a problemas de explicação última e de regressão infinita, como uma consciência obsessiva, que, no seu ímpeto pela ascensão da caverna de “aparências” até à verdade imutável, só pensa nela mesma (“cogito ergo sum”), e que estão muito presentes nas filosofias idealistas (de matriz “PLATÓNICA” ou “CARTESIANA”) ou mesmo nas filosofias de cunho mais empirista, sensível e mecânico, através do círculo indutivo – e na sua relação com – b) o raciocínio dedutivo.